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Sábado, Maio 15, 2004  

Stalker



«Of all scenes in Stalker I like Alisa Freindlikh's monologue the most. Although the one closest to my heart is... let's say the one I feel as my own and in which I have perhaps expressed myself to the fullest. It is probably one of the final scenes, beginning with their return to the bar and home, up until the conversation with the wife. When everything is in the past already.»

Andrei Tarkovsky entrevistado por Luisa Capo in "Scena"

Stalker, amanhã às 16h00 no Auditório de Serralves

posted by cristina on 21:21


 

mouvements, 1951.

Ce que je fais est-ce simplement dessiner en pauvre, comme fait celui qui joue de la guitarre avec un seul doigt?

posted by Henri on 13:44


 

Sarah Manguso and Russell Edson #1

1. She came in through the window:

Address to an Absent Lover, de Sarah Manguso (from Siste Viator)

The boy speaks in Russian (I understand him neither in the dream nor in real life). He opens his eyes and looks at me, apologizing in English for keeping them closed.
When I wake up I think he must have seen me. But when I kiss him he looks surprised, as if he were blind.
The night I met you I wrote It is possible I have imagined my entire life.

2. and she brought us An historical breakfast:

Um pequeno-almoço histórico, de Russell Edson (tradução de José Alberto Oliveira, edição da Assírio & Alvim)

Um homem aproxima uma chávena de café da cara, inclina-a para a boca. É histórico, pensa. Ele coça a cabeça: outro acontecimento histórico. Devia era descansar, está a produzir uma quantidade imensa de história logo de manhã.
Credo, agora está a barrar torradas com manteiga, outro bocado de história a fazer-se.
Ele espanta-se por ter-lhe sido destinado ser tão histórico. Outros provavelmente não o têm, pensa, é, ao fim e ao cabo, um talento.
Ele pensa que um dos seus atacadores precisa de ser apertado. Ah bom, mais um acontecimento histórico importante que está para acontecer. Não o pode evitar. Estará talvez a ocupar uma faixa demasiado grande de história? Mas tem que viver, não tem? As torradas necessitam de manteiga e ele não pode andar por aí com um dos atacadores desapertados, pois não?
É certamente verdade, que quando escreverem todo o século XX será principalmente acerca dele. É a forma como o bolo se esmigalha - ah, aí está uma frase que será citada nos séculos vindouros.
Convencido? Um pouco; como pode evitá-lo observado por todos os olhos ainda por nascer do futuro?
Oh, oh, sente outro acontecimento histórico a chegar... Ah, ai está, uma chávena de café a aproximar-se da cara na ponta do seu braço. Se conseguissem registar isso em filme, quanta importância não teria para o futuro.
Bolas, derramou-o todo no colo. Um desses acidentes históricos que influenciarão os próximos mil anos; imprevisível e até muito desconfortável... Mas a história nunca é fácil, pensa ele...


posted by cristina on 09:47


Sexta-feira, Maio 14, 2004  

É já amanhã!

Nada de saídas ao Sábado à tarde, a menos que leve o portátil para a esplanada ou para a praia. Não atrase o almoço. Se o coração não falar mais alto, programe o despertador do telemóvel para tocar à 15:45. Então, concentre-se. Descontraia-se. Concentre-se outra vez. Faça alguns exercícios de respiração. Pinte os lábios. E diga. Diga tudo.


posted by camponesa pragmática on 20:45


 

Outside another yellow moon

O Howe Gelb que me perdoe mas fui obrigado a desligar a "Blood Orange". Tenho uma missão pela frente, um comboio para apanhar...




posted by Reporter on 19:47


 

Casa da Música? hmmm... looks nice. I'd prefer a cellar in Pias, but what the hell...

posted by António Rebelo on 19:03


 

The artist' s letter rack, de William Harnett



Quando entrei na sala também fiquei admirada com o quadro escolhido por José Pacheco Pereira. Esperava uma natureza morta mas não aquela. É o quadro que poderia encontrar em casa de Bartleby, noutros tempos, se ele tivesse casa.

Disseram que a pintura era obsessiva (Bernardo Pinto de Almeida) e até depressiva (Jaime Milheiro). Eu diria apenas que é nostálgica; os adjectivos dependem mais de quem vê do que da própria pintura. No fim de todas as explicações percebi que a escolha foi perfeita e reveladora (não só do gosto pelas naturezas mortas como de muitas outras coisas).

O auditório de Serralves estava quase cheio e a conversa foi boa, fluída e bem-humorada, apesar do tom pessimista de José Pacheco Pereira. Mas a verdade é que os tempos não estão de feição. E estiveram algum dia?



Modo de Sentir, Modos de Ver :
20 de Maio de 2004 | Moderadores: Raquel Henriques da Silva/Eduardo Sá | Convidado: Fernando Lopes
25 de Maio de 2004 | Moderadores: Raquel Henriques da Silva/Eduardo Sá |Convidado: António Damásio




posted by cristina on 18:40


 

posted by cristina on 17:20


 

Eu diria mesmo mais:

Hoje ao ler o post da Cris anterior a este fiquei atónito. Vem lá o nome do Tom Waits ligado à Casa da Música (Uma grelha transversal, página 53). Será verdade? Será que se concretiza? Será no parque de estacionamento? Ou no elevador?

Ora aqui está um assunto que merece ser investigado....

posted by António Rebelo on 14:13


 

Tom Waits na Casa da Musica?

Hoje ao ler o Público fiquei atónita. Vem lá o nome do Tom Waits ligado à Casa da Música (Uma grelha transversal, página 53). Será verdade? Será que se concretiza? Será no parque de estacionamento? Ou no elevador?

Ora aqui está um assunto que merece ser investigado....

posted by cristina on 12:54


 

O trigo-sarraceno é muito bonito quando está em floração

O site já foi descoberto pelo Kleist mas isso não me impede de roubar mais umas imagens.

A sequência do sonho para os espelhos velados:










posted by cristina on 11:43


 

Blood Orange

See the sky a broil and the color of blood orange. Hear the crackin' singe of the front metal screen door hinge. Loving like lovers that know they're going to hang. Sweating bullets and reloading over and over again... Rain is only a rumor, over before it has begun.

posted by cristina on 10:59


 

bande à part

Tout ce que vous avez besoin pour faire un filme c'est une fille et un pistolet



"C'est le troisième Juillet 1891, Billy de Kid assassiné par le sherif de Tombstone- Patt Garett"

"Pour les spectateurs qui rentrent en ce moment dans la salle tout ce qu'on peut dire ce sont quelques mots pris au hasard : il y a trois semaines, pas mal d'argent,un cours d'anglais, une maison près de la rivière, une jeune fille romantique".

"En se retournant pour regarder la maison à travers l'écran que faisait les branches des arbres, Arthur et Franz virent un scintillement de lumière froid lointaine comme celle d'une étoile. Arthur voulut dire quelque chose mais les mots ne lui vinrent pas".

Tout ce qui est nouveau est de ce fait automatiquement traditionnel.

Aujourd'hui ce n'est pas important de savoir dire, vois là regarde, « donnez moi une chambre avec salle de bain »; aujourd?hui qui emporte c'est de savoir écrire Thomas Hardy ou Schakspeare



- Va, sors d'ici, Car je ne m'en irai pas, mais. Qu'est ceci?
Une coupe qu'étreint la main de mon bien-aimé?
C'est le poison, je le vois, qui a causé sa fin prématurée. Ó méchant!il a tout bu! il n'a pas laissé une goutte amie pour m'aider à le rejoindre!...


"Tou bi or
Not tou bi
Contre votre poitrine
It iz ze question"




...Je veux baiser tes lèvres: peut-être y trouverai-je un reste de poison
dont le baume me fera mourir
Tes lèvres sont chaudes!!




-vous avez déjà embrasser un tipe?
-oui
-bon, vraiment, vous savez comment le faire ?
oui, avec la langue



"Juste en face ils virent une île qui avait l'air déserte, à droite et à gauche s'allongeaient comme les remparts du monde les lignes d'une falaise horriblement noire et surplombante. La végétation s'y étalait dans un panorama désolé dont la couleur d'encre leur rappela la mer des ténèbres."



Je m'en fous.

"Ici on pourrait ouvrir une parenthèse et parler des sentiments d'Odile, de Franz et d'Arthur, mais, après tout, tout est déjà assez clair, mieux vaut donc laisser parler les images et fermer la parenthèse."

Mieux vaut être riche et heureux que pauvre et malheureux.

Une vraie minute de silence peut durer une éternité.



"Odile se demande si les deux garçons ont remarqué ses deux seins qui remuent à chaque pas sous son chandail..."



"Franz pense à tout et à rien. Il ne sait pas si c'est le monde qui est en train de devenir rêve ou le rêve monde"



-c'est quoi vôtre nom de famille?
- Rimbaud, comme mon pêre
-je vous aime
-déjà?
-oui, c'est la foudre

"Une idée effleura Odile comme un mauvais nuage qui d'ailleurs passa l'idée qu'Arthur la regarderais toujours de cette façon un peu comme si elle était une ombre à travers laquelle il eût voulut voir comme si le jeune homme et la jeune fille eussent déjà été séparés par un océan d'indifférence"

"Dix minutes après le soleil d'Austerlitz se levait à la Bastille. Arthur demanda à Frantz si c'était bien vrai qu'il avait caressé les genoux d'Odile. Frantz dit que oui, et qu'elle avait la peau douce."

"Arthur dit que parler d'amour comme ça, c'est des fouisses Odile dit que ça lui avait échappé mais que c'était vrai. Puis ils marchèrent dans le noir jusqu'à la place Clichy, assurément une des plus belles de Paris le soir avec sa lumière de charbon. Tout ceci ramenait Arthur et Odile à eux même, au présent, au passé, au futur fait d'aventure. Ensuite de quoi ils descendirent au centre de la terre."

Le mariage, c'est donner ses seins et ses jambes





Ça me rappelle une chanson...comment c'est elle?...
J'en ai tant vu qui s'en allèrent/Ils ne demandaient que du feu/Ils se contentaient de si peu/Ils avaient si peu de colère/J'entends leurs pas j'entends leurs voix/Qui disent des choses banales/Comme on en lit sur le journal/Comme on en dit le soir chez soi/Ce qu'on fait de vous hommes femmes/O pierre tendre tôt usée/Et vos apparences brisées/Vous regarder m'arrache l'âme/Les choses vont comme elles vont/De temps en temps la terre tremble/Le malheur au malheur ressemble/Il est profond profond profond/Vous voudriez au ciel bleu croire/Je le connais ce sentiment/J'y crois aussi moi par moments/Comme l'alouette au miroir/J'y crois parfois je vous l'avoue/A n'en pas croire mes oreilles/Ah je suis bien votre pareil/Ah je suis bien pareil à vous/A vous comme les grains de sable/ Comme le sang toujours versé/Comme les doigts toujours blessés/Ah je suis bien votre semblable/J'aurais tant voulu vous aider/ Vous qui semblez autres moi-même/Mais les mots qu'au vent noir je sème/Qui sait si vous les entendez/Tout se perd et rien ne vous touche/Ni mes paroles ni mes mains/Et vous passez votre chemin/Sans savoir ce que dit ma bouche/Votre enfer est pourtant le mien/Nous vivons sous le même règne/Et lorsque vous saignez je saigne/Et je meurs dans vos mêmes liens/Quelle heure est-il quel temps fait-il/J'aurais tant aimé cependant/Gagner pour vous pour moi perdant/Avoir été peut-être utile C'est un rêve modeste et fou/Il aurait mieux valu le taire/Vous me mettrez avec en terre/Comme une étoile au fond d'un trou.



"Arthur déclara qu'il fallait attendre la nuit pour faire le coup et respecter ainsi a tradition des mauvais policiers de série B. Que faire alors pour tuer le temps qui s'éternise demanda Odile Frantz avait lu dans France-Soir qu'un américain avait mis 9 minutes 45 secondes pour visiter le musée du Louvre, ils décidèrent de faire mieux...
En 9 minutes 43 secondes Arthur, Odile et Frantz avaient battu le record établi par Jimmy Johnson de San Francisco."






"La dernière pensée d'Arthur au moment de mourir fut consacrée au visage d'Odile..."



"...Dans le noir brouillard qui tombait sur lui il aperçut cet oiseau fabuleux dont on parle dans les légendes indiennes et qui parait-il vient au monde sans pattes de sorte qu'il ne se pose jamais. Il dort dans les grands vents, plus haut que l'oeil peut voir et on ne le voit jamais, vraiment jamais, sauf quand il meurt et il a des ailes transparentes plus longues que celle d'un aigle et quand elles sont refermées l'oiseau tiendrait dans le creux d'une main."




La vie me dégoûte

"Trois jours après en ouvrant les yeux Odile et Frantz aperçurent la mer. Elle ressemblait à un théâtre, le théâtre dont la scène se situait exactement à l'horizon au delà il n'y a plus que le ciel. Devant cette harmonie qui se propageait doucement en vastes ondes Frantz et Odile n'aperçurent tout à coup ni limites ni instructions."



- Et s'il avait des lions au Brazil?
- Oui, et aussi des croc.....odiles

"Mon histoire finit là, comme dans un roman bon marché, à cet instant superbe de l'existence où rien ne décline, rien ne dégrade, rien ne déçois. Et c'est dans un prochain film que l'on vous racontera, en CinémaScope et Technicolor cette fois les aventures d'Odile et de Frantz dans les pays chauds"

trailer


posted by zazie on 01:27


Quinta-feira, Maio 13, 2004  

sob escuta


posted by camponesa pragmática on 23:34


 

Edward Gorey on Edward Gorey


The Loathsome Couple

Well, after all, I've been murdering children in books for years. It's much more personal to me in a way, I suppose, that a lot of the others, because I really read those books about the Moors Murders. Somehow it stuck in my mind: This is really one of the great unpleasentnesses of all time.

in Ascendig Pecularity - interviews selected and edited by Karen Wilkin, Hartcourt
(The Loathsome Couple está traduzido para português pela Errata (Margarida Vale de Gato) - é uma das Quatro Estórias)

posted by picatostes on 23:25


 

Remembering Mountain Men

I put my foot in cold water
and hold it there: early mornings
they had to wade through broken ice
to find the traps in the deep channel
with their hands, drag up the chains and
the drowned beaver. The slow current
of the life below tugs at me all day.
When I dream at night, they save a place for me,
no matter how small, somewhere by the fire.

William Stafford

posted by camponesa pragmática on 22:51


 

Francis Bacon | Study after Velazquez's Portrait of Pope Innocent X | 1953


posted by camponesa pragmática on 22:20


 

Música Para Spofforth


Opiate: While You Were Sleeping

posted by Paulo on 21:28


 

Em busca da cabeça do Doutor Sousa Martins

A pequena porém dedicada comunidade que com zelo põe o Espírito ao serviço da vErdade das coisas não me desiludiu.

De Kleist chegam ecos preocupados, condensados em mote imperativo. Após reiterar a sua certeza sobre o envolvimento do sapateiro do Bairro dos Actores e respectivos pastéis de nata (e o cozinheiro, pergunto eu, estará nisto à toa?) e de sublinhar, bem, o verdadeiro nome do Campo Santana, Alexandre faz três perguntas aparentemente inocentes e desconexas das quais, todavia, emerge claro o tenebroso e indubitável conluio: Quem se ocupa das placas votivas? Para onde irão? Quais são os planos da Carris para o elevador do Lavra?



O Epicentro, que foi, como se sabe, recentemente abduzido por extraterrestres, por se ter aproximado demasiado da verdade!, conseguiu, com grande esforço e a conta gotas, fazer chegar à Terra ontem, durante a tarde, questões ainda mais inquietantes, que se somam àquelas e nos deixam em alarme (repare-se como fala da Terra como de um lugar longínquo):

Estava aqui a pensar que a cabeça do dr deve ter poderes electromagnéticos com efeitos em todo o campo santana. Esses animais que por aí andam podem bem ser agentes das forças dele.

Mais: para empalharem a cabeça tiveram de tirar o cérebro. Que fizeram Eles ao cérebro do doutor?

E se o cérebro do doutor já tiver entrado para a cadeia alimentar?

Caríssimos, só um cego não vê o que aqui está em causa. Não nos deixemos enganar. Dois e dois são quatro.



p.s. Atenção às imagens que têm acompanhado estes posts: também elas são cheias de Significado.

posted by camponesa pragmática on 13:29


 

La Mala Educación



[...]Há algo, nesta desmultiplicação, de distorção cubista, mas Almodóvar não deixa que o espectador se perca no labirinto. Sobretudo por causa do jogo de olhares (puro cinema) que atravessa, penetrante, os vários níveis narrativos, em direcção à danação final.

Há um rosto único, finalmente, para todas as caras: o rosto da paixão devoradora, que se não redime os pecados, porque até está na origem de um crime, é o denominador comum entre vítimas e carrascos. É como se fosse um gesto de vida. E é a paixão que inverte posições - o mesmo padre violentador da Espanha franquista, surge, na Espanha da movida, como vítima do seu próprio desejo. Por esta razão, Almodóvar recusa qualquer propósito "anti-clerical" no filme ou que isso seja aproveitado como chamariz. Diz com ironia: "A Igreja não precisa de nenhum ataque porque a Igreja é a pior inimiga de si própria, degrada-se de cada vez que faz uma afirmação pública." [...]
Vasco Câmara © Público.pt



posted by camponesa pragmática on 10:56


 

Os tempos que correm...

...ou mais um aniversariante na blogosfera: Parabéns a Miguel Vale de Almeida pelo primeiro ano do seu blog, um dos que mais gosto de ler.

posted by António Rebelo on 10:20


 
Fátima é muito sagrado, não tem explicação


Nan Goldin, Fatima candles. Portugal. 1998
© Galerie Yvon Lambert


posted by cristina on 09:31


 

O Interno Retorno

Às vezes parece que as árvores têm braços ou que as núvens têm gente. Não têm; isso somos nós que nos assustamos por tudo e por nada, menos connosco. Ousemos o desamparo.

Se ouvirmos, só, estragamos pouco:

longe existem, neste e em todos os momentos desde que existem, os Anéis de Saturno, a Magnetosfera de Júpiter, a da Ganymede de Galileo antes de qualquer um de nós; existe o Sol e existem Buracos Negros porque as coisas não começam nem acabam; Pulsares, restos cósmicos e um infinito - não interessam as teorias - Big Bang.

Aqui em cima sobrevivem florestas tropicais. Formam-se tempestades com que nem sonhamos. De vez em quando lembramo-nos do vento e do granizo. Não nos lembramos das monções, de tornados e furacões, nem da areia ou da neve pelos ares.

De lá de baixo ouve-se tudo, como sabemos desde que descobrimos a casa com a cabeça mergulhada na banheira: terramotos, vulcões, bolhas de ar, barcos e, ainda bem, outras coisas sem nome, coisas portanto.

Mas, lá em baixo, como aqui em cima e lá longe, nunca compreenderemos nada do que se passa. Nunca nos chamaremos como as baleias se chamam, e elas nem sequer se chamam baleias.


posted by Paulo on 04:05


 

posted by camponesa pragmática on 03:22


 

sob escuta

O avô cavernoso
Instituiu a chuva
Ratificou a demora
Persignou-se
Ninguém o chora agora
Perfumou-se
Vinte mil léguas de virgens vieram
Inúteis e despidas
Flores de malva
E a boina bem segura
Sobre a calva

Ao avô cavernoso quem viu a tonsura?
E a lenda dos milagres e a privada?
Na tenda que foi nítida conjura
As flores de malva murcham devagar
Devagar
Até que se ouvem gritos, matinadas



Realmente é uma pena termos de nos ficar pelas letras. Sempre que ouço este disco fico presa no "Avô Cavernoso". Repito. Repito. Repito. As palavras ao mesmo tempo, mas isso não é o mais importante. É o som disto. Os agudos disto. A forma como se alongam. As flores de malva murcham devagar/ De-va-gar. A voz de José Afonso, límpida. E o silêncio. Há poucas coisas tão bonitas.

posted by camponesa pragmática on 01:34


 

Vénus e as Plêiades


© David Cortner

posted by camponesa pragmática on 00:53


 

Madalena

Conseguem ouvir?


posted by camponesa pragmática on 00:49


Quarta-feira, Maio 12, 2004  

Novo indiscreto!

Vimo-lo a dispersar-se num eclectismo de fazer dó - tipicamente indiscreto, portanto - para as bandas do Citador. Reunimos o conselho de administração para discussão de possível contratação. Com ou sem período experimental? Com ou sem praxe? Lembrem-se que o Euro está mesmo à porta e que precisam de reforços, não sejam líricos, disse o Repórter. Tinha razão. Enviámos imediatamente o convite, que o Paulo Azevedo aceitou. Bem vindo :)

posted by camponesa pragmática on 23:13


 

Kurosawa

Admirava-o muito. Ele era um profundo feudalista, ligado às verdadeiras tradições, ao verdadeiro espírito japonês, ao lado espiritual da existência humana. Em Ran mostra um acontecimento e três realidades. Em Dersu Uzala mostra a pura beleza.

Balthus


Dersu Uzala amanhã às 19h45 no arte (repete no dia 24 às 23:12)

posted by cristina on 21:48


 

Learning lines in the rain

Terça-feira passou a correr. Atrasamo-nos. Será que isto nos redime?

[::extras:: Mask | Spirit | Ziggy Stardust ] © Beggars Banquet Records


posted by cristina on 19:38


 

The Choice

The intellect of man is forced to choose
perfection of the life, or of the work,
And if it take the second must refuse
A heavenly mansion, raging in the dark.
When all that story's finished, what's the news?
In luck or out the toil has left its mark:
That old perplexity an empty purse,
Or the day's vanity, the night's remorse.

William Butler Yeats


posted by camponesa pragmática on 16:10


 

Isto, sim, é bonito!


© Martin Parr | FRANCE. Arles. Pix'll Photo Studio. C.Klein. 2000.



posted by camponesa pragmática on 15:08


 

educação sentimental na rua (do Bonfim)

Eu sei que a instrução se faz pelo mal mas gostaria de acrescentar uma aula no capítulo: os olhares.

É um instante apenas, dura menos que um trovão mas tem a mesma intensidade. Um rapaz vê um determinado modelo de automóvel, quase sempre esguio e reluzente e os seus olhos ficam encravados por um brevíssimo momento. Depois seguem-se outras coisas, ele aproxima-se, toca no carro, cobiça-o e por aí fora, no entanto isso já não interessa, o tal olhar desapareceu. O rapaz, que não gosta de ser sentimental, corava se se visse ao espelho. Quem passa na rua pode e deve aproveitar a aula e o mestre.

Stendhal saberia escrever muito mais e melhor sobre o assunto. Aliás creio que o fez.

posted by cristina on 15:06


 

Isto anda tudo ligado.

Ontem quando ia para casa ouvi (por acaso...?), de fonte variável, que a cabeça do Dr. Sousa Martins está dentro da Faculdade de Ciências Médicas, empalhada: o corpo, está na base da estátua; a cabeça, está na faculdade. Mentira?? Ou mais uma das vErdades que nos querem esconder?


posted by camponesa pragmática on 11:16


 

Kleist no teatro

Os Deuses Perversos e as Fraquezas dos Homens, artigo de Ana Cristina Pereira no Público

[...]
Talvez os deuses estejam loucos. Talvez os deuses só queiram colocar o homem perante a sua imagem. Talvez o homem tenha de reaprender que algo o transcende para abandonar a ideia de se fazer deus.Talvez os deuses, afinal, não sejam capazes de amar. Talvez...


"Anfitrião", de Heinrich von Kleist | Pelo Ensemble - Sociedade de Actores | Encenação de João Grosso | Porto, Balleteatro Auditório | Tel.: 968 394 317 | Até 30 de Maio, de 3ª a sáb., às 21h30; dom., às 16h00 | Bilhetes a 7,5 euros

posted by cristina on 11:12


 

A acácia em flor

Por
entre
verdes

duros
velhos
claros

quebrados
ramos
outro

branco
doce
Maio

vem


William Carlos Williams, Antologia Breve
tradução de José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim, Gato Maltês#39

posted by cristina on 11:06


Terça-feira, Maio 11, 2004  

Só de o veres consegues ouvi-lo?


Bruni Sablan

Silêncio.
Miles emudecia frequentemente; a banda continuava a tocar.
Depois, de cada vez que inventava uma nota, esvaziava-a em agonia.
É só por isso que alguns não são imitáveis; o que eles fazem morre logo a seguir.
Silêncio. Ouves, agora?

posted by Paulo on 19:35


 

Estavam cheios de saudades, não era?

Especialmente, a Marta. Mas ninguém dizia nada.


© Martin Parr | HOLLAND. Amsterdam. Madam Tussaud's. 1999.

posted by camponesa pragmática on 17:15


 

o nosso top de vendas

Telefonaram-me há pouco da (livraria) Latina para avisar que Gata Borralheira (Branca de Neve e Bela Adormecida) de Robert Walser acabou de chegar. Não dois exemplares, como tinha encomendado, mas um: o último. É verdade, o belíssimo livro de Robert Walser esgotou mesmo!

É comovente saber que todos os livrinhos da & etc foram vendidos e lidos (que não se trata de adorno de estante, isso é claro).

Só lamento ter apenas um livro para enviar às indiscretas lisboetas mas enquanto não sai nova tiragem (isto sim é optimismo desenfreado) vocês terão de o dividir a contendo. Segue dentro de dias.


posted by cristina on 13:51


 

sob escuta



Creators at Carnegie | Kronos Quartet

para ouvir aqui --> Kronos Quartet --> listen to hour 1 / --> listen to hour 2

Hour 1 Playlist
"Habanera" by John Adams (from John's Book of Alleged Dances, Nonesuch 79504 disc 1)
Excerpt from "Pendulum Music for microphones, amplifiers, speakers and performers" (1968) by Steve Reich
Excerpt from "Cat 'o Nine Tails" by John Zorn
"One Earth, One People, One Love" from Sun Rings by Terry Riley
Excerpt from "Bertoia" (2002) by Mark Grey
Exceprt from "How it Happens" by Scott Johnson
"The Day the Earth Stood Still" by Bernard Herrmann, arranged by Stephen Prutsman
Excerpt from "Conlon Nancarrow: Boogie Woogie #3A" realized by Trimpin, arranged by Stephen Prutsman
"Flugufrelsarinn (The Fly Freer)" by Sigur Ros

Hour 2 Playlist
"Mai Nozipo (Mother Nozipo)" by Dumisani Maraire from Pieces of Africa, Elektra Nonesuch 9 79275
"The Haughs of Cromdale"/"The Fair-Haired Girl" by Tony McMahon, unreleased studio recording
"Asleep"/"Fear" by Astor Piazzolla from Five Tango Sensations, Nonesuch 79504 disc 2
"Evic Taksim" by Tanburi Cemil Bey, recorded at the Sydney Festival 2004 by the Australian Broadcasting Corporation
"Elegy" by Peteris Vasks from String Quartet No. 4, Nonesuch 79695
"Chorale" by Peteris Vasks from String Quartet No. 4, Sydney Festival 2004, Australian Broadcasting Corporation
"Kutambarara (Spreading)" Dumisani Maraire from from Pieces of Africa, Elektra Nonesuch 9 79275

© NPR

posted by cristina on 13:06


 

Fado da Tristeza

Contudo, e contradizendo-me um tanto, hoje decidi recordar Ser Solidário; e já ouvi umas cinco vezes o Fado da Tristeza. É uma pena que tenhamos tantas vezes que nos limitar a partilhar as palavras das canções, e não possamos partilhar tudo, as palavras, a música, a pequena bolha de luz e certeza que se habita por uns instantes quando se ouve uma canção como esta. Mas enfim, é o que há.


Não cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca
Deixa a tristeza sair
Pois só se aprende a sorrir
Com a verdade na boca

Quem canta uma alegria que não tem
Não conta nada a ninguém
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Pois é tentar a fingir

Não cantes alegrias de encomenda
Que a vida não se remenda
Com morte que não morreu
Canta da cabeça aos pés
Canta com aquilo que és
Só podes dar o que é teu

posted by António Rebelo on 10:19


 

José Mário Branco no Coliseu de Lisboa

Falar do concerto de José Mário Branco na sexta-feira passada implica falar de Resistir é Vencer, já que o concerto consistiu essencialmente na execução integral deste disco. Uma opção ousada, mas plenamente ganha. Que um disco desta complexidade, editado apenas escassas semanas antes, tenha resultado tão bem, ainda para mais num concerto aguardado com uma expectativa proporcional à raridade dos concertos de José Mário Branco, é um tributo à excepcional qualidade, à força das palavras, à inspiração melódica, ao brilhantismo e elaboração dos arranjos de Resistir é Vencer.

Começando com essa arrepiante viagem da noite para a luz que é Nem Deus nem Senhor (que pessoalmente achei o momento mais tocante da noite), passando pela empolgante Canção dos Despedidos, pelo lindíssimo As Contas de Deus, pelo fulgurante Do que um homem é capaz (já suficientemente conhecido do público para que alguns tivessem insistido em sublinhar com despropositadas palmas algumas das suas palavras, como se a música não fosse suficientemente eloquente) até ao final com a irisada Elogio de Caeiro, foi um concerto magnífico.



As canções mais antigas, como já se sabia desde o concerto de 1 de Maio no Porto, foram apenas fugazmente sugeridas, já no final, através de um medley interpretado pelo Coro Infantil dos Gambozinos, um dos muitos intervenientes de Resistir é Vencer. Foi uma opção original, certamente discutível (como se defende no Roda Livre), mas que me parece ter resultado muito bem, a julgar pela reacção do público no final (mesmo que tenhamos ficado ougados por uma revisitação mais substancial de canções antigas).

Soube a pouco? como se diz na Laranja Amarga, saberia sempre a pouco. Uma carreira como a de JMB encerra um potencial tão vasto para uma apresentação ao vivo que dificilmente seria de outra forma. Mas há uma coerência que me parece inegável nas opções de JMB: numa mão um disco novo, na outra uma evocação do passado confiada a um coro infantil. Como quem diz: o mais importante é o novo. E há no novo disco muito, mas mesmo muito para descobrir e apreciar.

PS: Há fotos do concerto no Retorta. Para já apenas dos ensaios, mas parece que mais haverá. Cá esperamos :)

posted by António Rebelo on 10:04


Segunda-feira, Maio 10, 2004  

E Pedro Páramo?

Vim a Comala porque me disseram que cá vivia meu pai, um tal Pedro Páramo. Disse-mo minha mãe, e eu prometi-lhe que viria vê-lo quando ela morresse. Apertei-lhe as mãos em sinal de que o faria, pois ela estava a morrer e eu estava disposto a prometer-lhe tudo. «Não deixes de o ir visitar - recomendou-me. - Chama-se assim e assim. Tenho a certeza de que vai gostar de te conhecer.» Então não tive outro remédio senão dizer-lhe que o faria, e de tanto lho dizer, continuei a repeti-lo mesmo depois de ter conseguido libertar as minhas mãos das suas mãos mortas.
Antes, porém, dissera-me:
- Não vás pedir-lhe nada. Exige-lhe o que nos pertence. O que era obrigado a dar-me e nunca me deu... O esquecimento a que nos votou cobra-lho caro, meu filho.
- Esteja descansada, mãe.
Mas não pensei cumprir a minha promessa, até que, recentemente, a minha cabeça começou a povoar-se de sonhos, a dar livre curso às ilusões. E assim se foi formando um mundo em torno da esperança que era esse tal senhor chamado Pedro Páramo, marido de minha mãe. Por isso vim a Comala.

início de "Pedro Páramo" de Juan Rulfo, traduzido por António José Massano e editado pelas edições 70 (colecção Caligrafias) em 1988 - um presente ligeiramente atrasado

posted by cristina on 22:47


 

classificados

Troco um haikai que encontrei num livro por uma imagem de Kim Txchang-Yeul

O orvalho caiu.
Dos espinhos do abrunheiro
Pendem pequenas gotas.




posted by cristina on 19:39


 

O que é um melodrama?

"Escrito no vento" de Douglas Sirk, no Hollywood às 23h30.


Rock Hudson e Lauren Bacall

© 1955 Universal Pictures Co. Inc. Renewed 1983 by Universal City Studios, Inc. All rights reserved


posted by cristina on 19:22


 

Pontes de música

Acho que qualquer ideia de paz no Médio Oriente passa por gestos como o que o pianista e maestro Daniel Barenboim teve recentemente, e que vem descrito nesta notícia do PÚBLICO; porque as pessoas podem sempre entender-se, podem sempre criar pontes entre elas apesar das suas diferenças. E as pontes feitas de música, como as que Barenboim tem tentado criar, podem ser das mais fortes que existem.

O maestro Daniel Barenboim, judeu, recebe hoje, no Parlamento de Israel, os 100 mil dólares referentes ao Wolf Prize, galardão semelhante ao Prémio Nobel atribuído pela fundação pública israelita com o mesmo nome. Mas o maestro decidiu oferecer a totalidade do dinheiro a um conservatório musical palestiniano na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. [mais]




posted by António Rebelo on 14:18


 

sob escuta




posted by camponesa pragmática on 12:58


 

Outra vez Segunda-feira.

Fins-de-semana de dois dias, fins-de-semana de dois dias. Que falta de imaginação.


posted by camponesa pragmática on 12:21


 

Segunda-feira...


il Giardino de Daniel Spoerri


posted by Lídia on 01:15


 


Galiza, 9 de Maio de 2004.


© Helder Paiva


posted by camponesa pragmática on 01:12


Domingo, Maio 09, 2004  

A máquina de Joseph Walser #3

Grande parte da cidade foi conquistada por esse exército neutro que não é exército: a indiferença. Se queres sobreviver colocas a tua coragem num saco de plástico e aguardas.

Gonçalo M. Tavares - A máquina de Joseph Walser
Caminho, Abril de 2004



posted by camponesa pragmática on 21:12


 

sob escuta


posted by camponesa pragmática on 21:11


 

A favor da claridade

Só se pode ser artista plenamente se se tiver em permanência um estado de curiosidade, um estado de espanto, espanto como absoluta abertura às coisas que acontecem.

Pedro Cabrita Reis em “A Favor da Claridade” de Teresa Villaverde, às 22h00 na 2:

posted by cristina on 20:48


 

Com a mão nas costas, e as costas na mão



Fui ter com ele e pedi-lhe para incluir os “Conselhos” (página 83) numa das suas aulas de geografia. Respondeu-me que não, “não aceito pedidos, não dou conselhos, nem isso vem a propósito do programa”. Argumentei como pude, que não era um pedido descabido, que encaixava no teor pedagógico das aulas, que até aquela posição das suas mãos, tão exacta e serena, já exalava bons conselhos. Nada.
— E que programa é esse que inclui aulas de patinagem? — atirei-lhe à cara.
“Sou o desportista na cama”, disse ele laconicamente. Virou-me as costas e foi-se embora.
Paciência, transmito eu os Conselhos, porque são bons e devem ser levados em conta. De Henri Michaux, de “As minhas propriedades”, à revelia do autor, a página oitenta e três:

Casanova, no seu exílio, dizia a quem quisesse
ouvi-lo: «Eu sou Casanova,
o falso Casanova.»
Tal como eu, Senhores… como decerto se ouve
por aí.
Mastiguem bem os vossos alimentos
antes de morrer,
Mastiguem-nos bem: um, dois, três!
Triste figura é a do diabo,
Triste figura a de quem vos ouve.
Para o canil! Para o canil! e para sempre,
Apoie-se no meu ombro, meu filho,
Apoie-se na minha idade e na minha experiência
Apoie-se na minha religião e na minha dependência,
Apoie-se bem antes de se encontrar bem,
Apoie-se em sonhos e sem o mostrar a ninguém,
Com a mão nas costas, e as costas na mão,
Apoie-se cão no canil,
Caroço no fruto, homem no seu nada.

posted by Reporter on 18:46


 

a bout de souffle

Para a menina triciclofeliz

Après tout je suis con. Après tout ce qu'il faut, il faut!






Si vous n’aimez pas la mer, si vous n’aimez pas la montagne, si vous n’aimez pas la ville,
alors vous faire foutre.






New York Herald Tribune! New York Herald Tribune!

Est’ce que tu m’accompagnes a Rome?

Oui, c’est idiot, mais je t’aime.

Hélas ! Hélas ! Hélas ! J'aime une fille qui a une très jolie nuque, de très jolis seins, une très jolie voix, de très jolis poignets, un très joli front, de très jolis genoux, mais qui est lâche.



C’est quoi faire la tête?
Faire comme ça…

Pourquoi tu me regardes?
Parce que je te regarde

Souri moi.
Bon, je conte jusque à huit si a huit tu n’as pas souri, je t ?strangule.
Un, deux, trois, quatre, cinq, six, septe, septe et demis, septe et trois quart…
T’est tellement lâche que je crois que tu vas sourire.


Vous êtes cons les américains.
Je ne vois pourquoi.
Juste le preuve c’est que vous admirer le la Fayette et Maurice Chevalier, alors c’est justement les plus cons de toutes les français.




between grief and nothing I will take grief
Et toi choisirais quoi?


Montre tes doigts des pieds. Il est très important les doigts des pieds dans une femme. Rigoles pas.

Tu choisirais quoi ?
Le chagrin c’est idiot. Je choisis le néant.
Ce n’est pas mieux, mais le chagrin c’est un compromis.
Je veux tout ou rien.
Et puis, maintenant je le sais. Défensivement.


Est-ce que vous aimez Brahms?
Comme tout le monde : pas du tout.
Et Chopin?
Dégueulasse.
Qu’elle structure plus grand ambition dans la ville?
Devenir immortel, et puis mourir.

Allons voir le Westbound dans le Napoleon
Oui, et on attend que la nuit tombe



"Notre histoire est noble et tragique
Comme le masque d'un tyran
Nul drame hasardeux ou magique
Aucun détail indifférent
Ne rend notre amour pathétique"




les dénonciateurs dénoncent, les cambrioleurs cambriolent, les assassins assassinent, les amoureux s’aiment.

On vas dormir?
Oui

C’est triste le sommeille. On est forcé de se sépa
rer.
Ce séparer

On dit dormir ensemble mas c’est pas vraie.



Je ne veux pas être amoureuse de toi. J’ai téléphoné à la police pour ça, je veux rester avec toi parce que je voudrais être sure que je n’étais pas amoureuse de toi et que je n’étais pas puis ce que je suis méchante acer toi c’est la preuve que je ne suis pas amoureuse de toi.



Va, dit le:

Et puis ce que je suis méchante avec toi c’est la preuve que je ne suis pas amoureuse de toi.
On dit que n’as pas amours heureux.
Si je t’aimais…
C’est trop compliqué.


Au contraire, il n’a pas d’amoureux malheureux.



posted by zazie on 15:34


 

Me gusta el ruido de la lluvia



Por causa de “Un chien andalou” peguei no livro que a Cinemateca dedicou a Buñuel e dei por mim a folheá-lo de novo. Para além dos filmes (que infelizmente é raro conseguir ver) gosto profundamente dele, do Luis Buñuel, do seu humor, da sua candura, da sua liberdade e das suas palavras. Gosto das histórias que ele conta — e ele está sempre a efabular — e também dos recuerdos, tão buñuelianos, de Conchita.
Há um magnífico artigo de João Bénard da Costa neste livro que termina com a última blasfémia de Buñuel, nas suas próprias palavras, no seu “Último Suspiro”, assim:

«Há muito tempo que escrevo num caderno o nome dos meus amigos desaparecidos. Chamo a esse caderno O Livro dos Mortos. Folheio-o muitas vezes. Tem centenas de nomes, uns ao lado dos outros, por ordem alfabética. Só lá ponho os nomes dos homens — ou das mulheres — com quem tive, nem que fosse uma só vez, um verdadeiro contacto humano. Os membros do grupo surrealista estão marcados com uma cruz encarnada. 1977-1978 foi para o grupo um ano fatal: Man Ray, Calder, Max Ernst e Prévert foram-se em poucos meses.
Alguns dos meus amigos odeiam esse livro, certamente com medo de nele figurarem um dia. Não sou da opinião deles. Essa lista familiar permite-me lembrar desta ou daquela pessoa que sem ele já teria esquecido. Houve uma vez que me enganei. A minha irmã Conchita disse-me que tinha morrido um escritor espanhol, muito mais novo do que eu. Inscrevi-o. Algum tempo depois, sentado num café de Madrid, vi-o entrar e dirigir-se-me. Durante alguns segundos julguei que ia apertar a mão a um fantasma.

Há muito tempo que a ideia da morte me é familiar. Desde os esqueletos passeados nas ruas de Calanda, por ocasião das procissões da Semana Santa, a morte faz parte da minha vida. Nunca a quis ignorar nem negar. Mas não há muito a dizer sobre a morte, quando se é ateu como sou. Tem que se morrer com o mistério. Algumas vezes penso que queria saber, mas saber o quê? Nada se sabe, nem durante nem depois. Depois de tudo, nada. Nada nos espera senão a podridão, o cheiro adocicado da eternidade. Talvez peça para me queimarem, para evitar isso.
Interrogo-me apenas sobre a forma da minha morte.
Acontece-me, por simples prazer de distracção, pensar no nosso velho inferno. Sei que as chamas e os caldeirões desapareceram e que o inferno, para os teólogos modernos é apenas a simples privação da luz divina. Vejo-me vogar nas trevas eternas, com o meu corpo, com todas as minhas fibras, de que vou precisar para a ressurreição final. De repente, outro corpo esbarra com o meu, nos espaços infernais. Era um simples siamês, que morreu há dois mil anos, quando caiu dum coqueiro abaixo. Afasto-me no escuro. Passam milhões de anos e depois sinto outra pancada nas costas. Desta vez era uma vivandeira de Napoleão. E assim sucessivamente. Deixo-me ir por momentos nas trevas angustiantes deste novo inferno e depois volto à terra, onde ainda vivo.

Sem ilusões sobre a morte, acontece-me pensar nas formas que esta pode ter. Às vezes penso que a morte súbita é admirável, como a do meu amigo Max Aub que caiu para o lado, enquanto jogava as cartas. Mas a maior parte do tempo, as minhas preferências vão para uma morte mais lenta, mais esperada, que me permita saudar uma última vez toda a vida que conheci. Já há alguns anos, de cada vez que saio de um sítio que conheço bem, onde vivi e trabalhei, que faz parte de mim, como Paris, Madrid, Toledo, El Paular, San José Purua, detenho-me um momento para lhe dizer adeus. Falo com ele e digo por exemplo: «Adeus San José. Aqui vivi momentos felizes. Sem ti a minha vida teria sido diferente. Agora vou-me embora e não te volto a ver, vais continuar sem mim, adeus.» Digo adeus a tudo, aos montes e às fontes, às árvores e às rãs.
Evidentemente, já me aconteceu voltar a um sítio de que já me havia despedido. Não me importo. Quando me vou embora, digo-lhe adeus outra vez.

Era assim que queria morrer, sabendo que dessa vez não voltava. Quando me perguntam porque é que deixei de viajar, porque é que já não vou à Europa, respondo: «Com medo da morte». Respondem-me que tanto posso morrer aqui como lá e digo-lhes. «Não é o medo da morte, em geral. Não me percebem. Não me importa morrer. Mas não quero morrer no meio duma mudança». A morte atroz, para mim, seria num quarto de hotel no meio de malas abertas e dos papéis em desordem.
Igualmente atroz, e talvez pior, é a morte prolongada por técnicas médicas, essa morte que não acaba. Em nome do juramento de Hipócrates, que põe acima de tudo o respeito pela vida humana, os médicos criaram a forma mais requintada das torturas humanas: a sobrevivência. Isso parece-me criminoso. Cheguei a ter pena de Franco, que aguentaram artificialmente vivo durante meses, num meio dum sofrimento inacreditável: para quê? Se às vezes os médicos nos ajudam, a maior parte do tempo são «money-makers», escravizados pela ciência e pelos horrores da tecnologia. Quando chegar a altura, deixem-nos morrer e dêem-nos mesmo uma ajudinha para irmos mais depressa. Estou convencido, espero, que, dentro de muito pouco tempo, a eutanásia será autorizada pela lei, dentro de certas condições. O respeito pela vida humana deixa de fazer sentido quando só leva a um longo suplício, tanto para os que vão como para os que ficam.

À hora do meu último suspiro, imaginei muitas vezes uma última partida. Chamava os meus amigos que são ateus convictos como eu. Muito tristes, ficavam à beira da minha cama. Chegava então um padre, que eu tinha mandado chamar. Com grande escândalo dos meus amigos pedia a absolvição dos meus pecados e recebia a extrema-unção. Depois, virava-me para o lado e morria.
Mas ainda se terá forças para brincar, nessa altura?

Só tenho pena de uma coisa: não saber o que se vai passar. Abandonar o mundo em pleno movimento, sair no meio do folhetim. Julgo que esta curiosidade pelo após-morte não existia antigamente, ou existia menos, num mundo que mudava pouco ou nada. E uma confissão: apesar da minha raiva à informação, gostava de me poder levantar de entre os mortos, de dez em dez anos, ir até a um quiosque e comprar alguns jornais. Não pedia mais nada. De jornais debaixo do braço, pálido, roçando-me contra as paredes, voltava para o cemitério e lia os desastres que iam pelo mundo antes de voltar a adormecer, satisfeito, no abrigo reconfortante da tumba.»



posted by cristina on 13:53


 

boletim metereológico

Chove e faz frio. A culpa é do Elvis Costello, mais precisamente dos cartazes que ele espalhou pela cidade.

Podemos fingir? Recebi um telefonema de uma velha escola do Mississipi que diz o contrário:

... Maybe when our story's over/ We'll go where it's always spring/ The band is playing our song again / And all the world is green / Pretend that you owe me nothing / And all the world is green / We can bring back the old days again / And all the world is green...


fotografia de Christian Lantry

Tom Waits| All The World Is Green | Blood Money | © NPR




posted by cristina on 12:42


 
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