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sábado, maio 17, 2003  

FILÓ-CAFÉ

O MEDO

Sociedade Guilherme Cossoul
19 Maio 2003 - 21h


Convidado: José Manuel Jara
Moderadora: Sónia Alves

diz que não sabe do medo da morte do amor
diz que tem medo da morte do amor
diz que o amor é morte é medo
diz que a morte é medo é amor
diz que não sabe


Alejandra Pizarnik

Apresentação da Arte-Postal:
Estação de Padrón de Héctor Rosales

Intervenções:
Alberto Augusto Miranda; Alexandra Bernardo; Delphim Miranda; Eduardo Simões; João Pedro Oliveira; Jorge Completo; José Manuel Travado; Júlia Lello; Luisa Monteiro; Manuel Guimarães; Paula Pestana; Vírgilio Brandão.

Av. D. Carlos I nº 61-1º Lisboa
contacto: 96 6423992



posted by Anónimo on 20:41


 
"Pequeno Tratado sobre As Ilusões"


Depois do João Barrento, Jorge Marmelo diz (hoje no Mil Folhas) mais sobre o livro de contos, "Pequeno Tratado sobre As Ilusões", do brasileiro Paulinho Assunção. Ficam aqui as suas palavras pra aguçar a curiosidade daqueles que ainda não compraram este pequeno tratado .A não perder mesmo!


"Pequeno Tratado sobre As Ilusões"
é um exemplar (cada vez mais raro) daquilo a que poderemos designar como a prática da literatura pela literatura, predominando o gozo lúdico da palavra, a sua economia e, mais do que isso, a sua justa medida, amiúde tocada pela música da frase perfeita - pela poesia, lá está. A chave deste segredo talvez se encontre, de resto, nas primeiras linhas do conto "Já Faz Muitos Anos", nas quais se lê aquilo que será um bom resumo do livro: "Os homens silenciosos, como nós, não temos medo. Por isso - e há sempre que se precaver - a palavra é a nossa armadilha, a nossa tocaia. E caso seja irrecusável falar, preferimos as palavras duras, consonantais, todas aquelas palavras que trazem no seu bojo a recordação de uma arma. Não é preciso dizer que somos muito perigosos."


posted by Anónimo on 19:23


 
Um passeio



O carro não anda, “é um problema qualquer no motor de arranque”, explicou-me o senhor da garagem. Altero os planos, vou passear a pé. Primeira paragem: Papélia, na Rua de Santa Catarina, para comprar uma prenda muito especial e espreitar as montras mais bonitas que conheço, feitas de lápis e blocos em combinações geométricas perfeitas. O Majestic está cheio de turistas, passo. Vou à Latina, encontro o livro do José Mário Silva e aproveito para o comprar. Na esquina um rapaz oferece-me um marcador de livros, do Círculo de Leitores, ele é simpático mas o marcador é feio. Desço 31 de Janeiro, a Bertrand está fechada, será que vai reabrir? Mais abaixo, na Bertrand dos saldos, fico admirada porque ainda lá estão o Kleist, o Blake e o Ramón Gómez de la Serna, entre cinco e sete euros.
Continuo. Vou à Brasileira, escolho um canto que me permite uma panorâmica pelo interior e pela rua. Há cinco ou seis mesas ocupadas. Uma rapariga com a mãe a combinar compras, um rapaz a ler um livro de bolso do Hemingway em inglês. Leio o Nuvens & Labirintos: Fazer do verso / um arco tenso / e das palavras / flechas.
Passo os olhos pelo Público de papel, que é oferta da casa, e, já que não posso ir a Mértola, vou até Sevilha: A partir daqui há várias vielas, muitas delas não se encontram no mapa, em direcção à Giralda. A calle de Los Besos é particularmente conhecida devido ao facto de ser a mais estreita da Judiaria. O nome deriva precisamente da proximidade das varandas das casas de cada lado da via, que convergem apaixonadamente, quase se tocando, no segundo andar. Outra rua da Judiaria a visitar é a Guzmán el Bueno, com os seus pátios interiores com claustros mudéjares e laranjeiras. Muito bonito é um palácio de cor almagre (cor taurina) com a base dos balcões forrada de azulejos multicolores.
Saio e passo pela zona do Bolhão, é dia de bolo lêvedo, compro 2 para acompanhar o queijo de São Jorge que tenho em casa. Encontro marcado na estação da Trindade. Num quiosque em Sá da Bandeira compro um maço de SG Ventil que não reconheço, trata-se de uma edição histórica que recria o grafismo de 1964: fundo amarelo claro, letras vermelhas e azul e umas risquinhas que lembram as barracas de praia.
Excelente almoço no restaurante Irmãos Unidos: carapauzinhos com salada de feijão frade, ou ciclistas como me explica o empregado. A sala parece saída dos anos setenta e os empregados dos anos vinte.
Regresso a casa a pé.

posted by Anónimo on 17:28


 
– Em consequência, disse-lhe eu um pouco sonhador, deveríamos comer uma vez mais o
fruto da Árvore do Conhecimento, para recair no estado da inocência?
– Sem qualquer dúvida, respondeu-me; é o derradeiro capítulo da história do mundo."


Alguém chegou à Janela à procura das marionetas de Heinrich Von Kleist. Gosto muito desse texto e tenho dois links que posso partilhar: para uma versão inglesa, On the Marionette Theatre ou para uma versão portuguesa, Sobre o teatro de Marionetas, edição de ACTO Instituto de Arte Dramática, de 1998, com tradução de José Filipe Pereira e ilustração de Christine de Villepoix.

Há ainda uma outra tradução, editada pela Hiena na colecção Memória do Abismo, que se chama apenas As Marionetas.

posted by Anónimo on 17:15


 
Cosac & Naify

Já me habituei a ler os anúncios que surgem no topo dos blogs, até já me passou pela cabeça fazer um itinerário pelos hotéis recomendados, começando aqui mesmo pelo Porto seguindo para Aveiro, Coimbra (apesar do Bragança não ter o charme do belo Astória ou das pensões esburadas que lá conheço) e terminando em cheio nas Pousadas.
Mas hoje fiquei contente quando abri a Janela e vi um link para o livro "Proust", de Samuel Beckett, editado pela Cosac & Naify.
Já tinha falado desta excelente editora aqui no blog mas é um bom motivo para voltar a ela e ao livro, por isso transformo o anúncio em post.

Proust é um dos primeiros textos de Beckett onde ele estabelece um profundo diálogo com o escritor francês Marcel Proust. Aqui fica um excerto, uma ilustração e a capa.



(...) As criaturas de Proust são, portanto, vítimas desta circunstância e condição predominante: o Tempo. Vítimas como também o são os organismos inferiores que, conscientes apenas de duas dimensões, subitamente confrontam-se com o mistério da altura - vítimas e prisioneiros. Não há como fugir das horas e dos dias. Nem de amanhã nem de ontem. Não há como fugir de ontem porque ontem nos deformou, ou foi por nós deformado. O estado emocional é irrelevante. Sobreveio uma deformação. Ontem não é um marco de estrada ultrapassado, mas um diamante na estrada batida dos anos e irremediavelmente parte de nós, dentro de nós, pesado e perigoso. Não estamos meramente mais cansados por causa de ontem, somos outros, não mais do que éramos antes da calamidade de ontem. Calamitoso dia, mas calamitoso não necessariamente por seu conteúdo. (...)
(Pág. 11 da edição Cosac & Naify)


posted by Anónimo on 15:51


 
Bolsos e livros



Era feriado, andava cá com uma neura "municipal", vesti o meu blusão azul (que tem bolsos horizontais), comprei na tabacaria a "Páscoa Feliz" do Rodrigues Miguéis (Livro de Bolso, série Literatura, Dom Quixote nº 47) e lá fui para o metro. Como um daqueles rapazes que, em Paris, tiram do "duffle-coat" um livro e, durante três estações, lêem mais um capítulo. (Há décadas os invejo... ) Lá fui ver o Batarda na estação de Telheiras (É f-a-b-u-l-o-s-a esta sua estação de metro!), levo o livro, volto, fiquei o resto da cinzenta tarde na esplanada do Jardim das Amoreiras, entardeci voluptuosamente. Com um livro, um livro de bolso português.
da crónica de Jorge Silva Melo no Mil | Folhas

Esta colecção é de facto muito bonita, dá gosto comprar estes livrinhos e ir passeá-los. Foi assim que comprei o do Tabucchi, pela fotografia do Gerard Castello Lopes.

É a colecção portátil mais bonita desde a Miniatura, dos Livros do Brasil, que editou autores como o Edgar Allan Poe, Truman Capote, Herman Melville, Cendrars, Cocteau, Camus,... com capas bem desenhadas pelo Bernando Marques.
Ah, estes livros da Miniatura têm uma advertência ao leitor deliciosa, na página de rosto diz assim:…Se o livro estiver todo aberto, rejeite-o, pois é indício de que já foi lido. Defenda a sua saúde não manuseando livros usados


posted by Anónimo on 10:10


 
"Já não tenho idade para estas espiritualidades"



É um olho, azul. Que nos olha, que interpela directamente o espectador. E nós, chegámos, verdadeiramente, a saber quem é que olhámos ao longo de toda uma obra?

Esse plano é outra forma, irreversível, de sentir que passou por aqui cinema. E foi assim, num autocarro, que vimos pela última vez João César Monteiro


Vasco Câmara viu o último filme de João César Monteiro , em Cannes. A descrição está aqui

posted by Anónimo on 09:31


 
Hoje é o dia das Letras Galegas e a Sara Figueiredo Costa, que é atenta e nossa amiga, enviou-nos uma prenda. Muito obrigado Sara, nós gostamos destas prendas.

Comemora-se hoje o Dia das Letras Galegas, que este ano é dedicado a Antón Avilés de Taramancos. Xosé Antón Avilés Vinagre nasceu em 1935 e foi a sua terra natal, Taramancos, em Noia, que lhe deu o nome por que ficaria conhecido no mundo literário. O seu contributo literário centrou-se principalmente na poesia, embora tenha publicado também alguma prosa.
Regressado à Galiza nos anos oitenta, presidiu à Associação de Escritores em Língua Galega e foi “Conselheiro” para a cultura do município de Noia, eleito pelo Bloco Nacionalista Galego. Morreu em 1992.
Aqui fica um poema:




OS ARRIEIROS DE ANTIOQUIA
FUNDAN A CIDADE NORTEÑA DE CAICEDÓNIA
E PERFUMA-SE TODO O VAL DO CAUCA
COS PRIMEIROS AROMAS DO CAFÉ


I
Aínda soa o machado e o estrondo das grandes árbores
ao cair:
o guiacán, o ceibo -ese castelo vexetal no vento-
o samán de cen ponlas. A araucária. O acaxú.
Aínda soa o estrondo nos outeiros do norte.
O berce da cidade levanta-se do bosque primixénio
-o ar garda ese arrecendo, o aroma
da madeira fresquísima-. Todos os corazóns nun pulo
amasan o adobe, ferven o cal no mesmo sentimento;
e a cantiga dos rudes montañeses arrebenta
desde o fondo do mato. Un hino no estrépito do día.
Dos camiños de Armenia, do Quindío,
chega o chiar dos carros, o bufar dos machos
carregados,
o apeiraxe.
E queda esa luz do día como un istante único
no que as mans e o cántico comenzan a tarefa.
No frescor das mesetas, nos cómaros anovados
a eixada fende a terra orixinal
e o verdor feble do cafeto campea airosamente
entre o ouro do platanar e a coroa apaixonada do
ananá.
O boi, pausadamente, move a roda do muíño de azucre:
todo xira armoniosamente no infindo
-esa pequena dimensión da vida-.

II
Aínda soa o machado e o estrondo das grandes árbores
na madrugada, cando entras na cidade
e un gañán ergueito no cabalo pide esmola
estendendo ceremoniosamente o seu chapeu de palma:
escombros da soberbia doutro tempo.

Xosé Antón Avilés Vinagre
Do livro "Cantos caucanos" (1985)

posted by Anónimo on 09:19


 


Atropelamento e Fuga


Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta (morta como se
estivesses morta!), olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto!



Manuel António Pina
de Atropelamento E Fuga (2001)


posted by Anónimo on 01:18


 


O tanque de Bashô

O tanque junto a que o crepúsculo mo traz é o de Bashô. A água maravilha-se.

Inquinam-se as imagens, a pequena rotação do outono, o dia decompõe-se, o sangue explode contra a claridade.

Um nó de leite a nudez cresce pela água.


Luís Miguel Nava, Poesia Completa 1979-1994





posted by Anónimo on 00:26


 
algumas versões de um haikai de Matsuo Bashô


© Lisette van de Water

Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada…
Wenceslau de Moraes

Quebrando o silêncio
do charco antigo a rã salta.
n´água – ressoar fundo.
Jorge de Sena

Ah! o velho lago
…o baque na água.
Paulo Rocha

Rãs
Vivem na margem do lago,
à espera de uma fábula ou
de um verso japonês.
José Mário Silva



posted by Anónimo on 00:06


 
livros e o luar contra a cultura
16>



Já tinha estado com ele na mão mas foi uma abordagem rápida e superficial, só para ver o tamanho das letras e das crónicas, passar a mão pelo verniz da capa, sem me querer prender a nenhuma frase porque esses deslizes são fatais para um plano de restrições. Ontem, porém, voltei a encontrá-lo na mesa dos destaques e cometi o erro de o ler. Pousei-o, dei uma volta, disfarcei e fui espreitar os discos mas a vontade do livro continuava e no fundo, o que são 7 euros?
Trouxe-o para casa e depois de jantar resolvi esquecer o blog e atirar-me às Crónicas para se ler na escola, de Luis Fernando Verissimo. Como diz na contracapa, são textos curtos e cheios de humor que se agrupam em seis temas: Equívocos, Outros tempos, De olho na linguagem, Fábulas, Falando sério e Exercícios de estilo.
O capítulo dedicado à linguagem é um mimo, tive que o ler em voz alta para explicar porque que me ria tanto. Recomendo e como prova deixo aqui o princípio de uma das minhas crónicas preferidas:

Defenestração

Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra…
Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria.
– Os hermeneutas estão chegando!
– lh, agora é que ninguém vai entender mais nada…
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a populaçao prostada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
– Alô…
– O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
– Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água.
Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração


© Luis Fernando Verissimo (Edições D. Quixote)

posted by Anónimo on 00:03


sexta-feira, maio 16, 2003  
Comprei um Manjerico


(fotografia de António Amorim)

posted by Anónimo on 19:59


 

Modesties

Words as plain as hen-birds' wings
Do not lie,
Do not over-broider things -
Are too shy.

Thoughts that shuffle round like pence
Through each reign,
Wear down to their simplest sense,
Yet remain.

Weeds are not supposed to grow,
But by degrees
Some achieve a flower, although
No one sees.

Philip Larkin


posted by camponesa pragmática on 16:32


 

Prometo trazer sublinhados meus da próxima vez (II)

A Nietzscheana só tem mesmo um defeito: não existir em português. Mas lê-se bem. Já não é mau.



posted by camponesa pragmática on 16:01


 

Prometo trazer sublinhados meus da próxima vez

Ando há uns dois ou três dias a chocar uma ressaca nietzscheana. Este fim-de-semana tenho de descer aos infernos e reabastecer da melíflua e peçonhenta lucidez. Agora, como a única fonte ao meu dispor é a internet, fui ao Citador. Encontrei esta pérola:

«As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.»

Que horror, é tão bom.


posted by camponesa pragmática on 15:03


 
”Oresteia” na Gulbenkian

Amanhã, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, é dia de celebração dos clássicos da literatura ocidental. De um, em particular: "Oresteia", de Ésquilo, a única das trilogias gregas que chegou completa aos nossos dias.

A notícia está no Públiconline

posted by Anónimo on 13:48


 

A história de Muriel ou o Tempo de um Regresso situa-se em França, no período final da guerra da Argélia, e tem como tema a memória. Hélène Aughain, viúva, vive num apartamento-loja de antiguidades. Um dos seus apaixonados é Smoke, proprietário de uma empresa de demolições, e há ainda Alphonse, o seu romântico primeiro amor de há mais de 20 anos atrás. Hélène mora com o seu enteado, Bernard, que vive dominado pelas memórias traumáticas da guerra, onde terá torturado uma rapariga argelina chamada Muriel. Uma das mais incontestadas obras-primas de Resnais, o cineasta por excelência da memória.

© Públiconline

A não perder!
Muriel ou o Tempo de um Regresso (Muriel, ou Le Temps d' un Retour). De Alain Resnais, com Delphine Seyrig, Jean-Pierre Kérien. França/Itália, 1963, 112 min. RTP 2. Logo às 00h00.

posted by Anónimo on 13:37


 



Sobre o INTERVALO PUBLICITÁRIO de José Mário Silva

Tentei responder no Blog de Esquerda, mas não deu (já ontem quis deixar um arghhhh solidário muito grande nos comentários ao pesadelo dos blogs de ouro e não consegui). Resolvi pois responder na Janela. Também gosto do anúncio em que o indiano ‘esculpe’ o Peugeot 206. O outro anúncio ainda não dei por ele; mas, a história do doce a cair no banco lembrou-me uma tira da Mafalda em que esta mostra aos amigos um Citroen 2CV (ou Diane?), recentemente adquirido pelo pai, e a Susaninha desfaz no carro, pergunta a Mafalda como é que ela pode estar orgulhosa de um carrinho tão insignificante (algo assim). Mafalda responde mais ou menos isto: ‘Estou orgulhosa; este é um dos poucos carros em que o importante continua a ser a pessoa’... admito ter errado a citação, não a ideia.


posted by camponesa pragmática on 11:16


quinta-feira, maio 15, 2003  

Tu Queres Sono: Despede-te dos Ruídos

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.


Ana Cristina César




Ana C

Outra vez nos braços do amor perdido.
Sempre o declive. Sempre a vertigem.
Às vezes o abismo.
Posso inflar
as velas de outra imagem
e assim navegar teus canais azulados,
minha lúcida amiga.
No céu-da-boca desta manhã
fica apenas um risco:
relâmpago longo como o olhar.
Luz. Outra luz. Louca luz.
O mesmo anjo que beija tua orelha fina
invade o cinema como um vento fictício
e rabisca cicatrizes bem legíveis
no coração deserto do meio-dia.



Eudoro Augusto







posted by Anónimo on 15:00


 


Pelo sexto ano consecutivo o Público volta a associar-se ao Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada e, por isso, todas as imagens publicadas na edição de hoje são assinadas por uma equipa de ilustradores.

O jornal está tão animado e bonito que até parei demoradamente na página desportiva (gostei muito da ilustração do André Ruivo). Mas parece que os desenhos são como as pessoas porque os bonecos de serviço amuaram: o cartoon está lacónico, e o Hobbes está feito líquido, esparramado no sofá.

Aqui fica o link para o artigo do Fernando Magalhães com uma visita guiada pelo Salão de Lisboa e a notícia de uma homenagem ao Vasco Granja, no Salão de Banda Desenhada da Exponor.
Bem merece, por nos ter mostrado que o cinema de animação é muitas coisas diferentes.

posted by Anónimo on 13:04


quarta-feira, maio 14, 2003  


Há qualquer coisa no György Ligeti que me atrai mas nao sei bem o que é. Ainda agora estava a ver o fim de um documentário no arte e lá fiquei embasbacada a olhar para ele, cheia de pena por não o ter apanhado desde o início. Se não me engano este documentário já passou no Mezzo e, com sorte, poderá passar um dia destes no Artes & Letras da rtp2. É rodado durante uma viagem de comboio e Ligeti fala de tudo: do regime comunista que considerava a música ocidental, em geral, e a dodecafónica, em particular, como obra do diabo; fala do medo que se seguiu à morte de Staline “tinhamos medo que o que viesse depois ainda fosse pior”; fala de si próprio e reconhece que, por baixo da sua grande afabilidade e doçura, há uma grande agressividade (que está patente na sua música).
Quase no fim disse que se vê a si próprio num labirinto, nunca sabe onde vai chegar, aliás parece que o objectivo dele é mais perder-se.
Para além da música das esferas, gostei muito dos Nonsense Madrigals interpretados pelos King’s Singers.

posted by Anónimo on 23:02


 
Lembras-te de Dolly Bell?



Lembras-te de Dolly Bell? é uma inteligente e irónica crónica juvenil que retrata a Jugoslávia dos anos 60, através da trajectória de um adolescente de Sarajevo. Dino Zolj, de 16 anos de idade, vive entre dois mundos aparentemente inconciliáveis: o fascínio pela música e pelas modas ocidentais e a rigidez imutável da vida na Jugoslávia. Dino envolve-se com uns pequenos marginais, o que lhe permite fugir ao aborrecimento da sua insuportável vida doméstica, marcada pelas leituras marxistas, pelos códigos de conduta moral do seu pai, pela resignação da sua mãe e pela indiferença dos seus irmãos. Um dia, os seus novos amigos de rua pedem-lhe que esconda uma prostituta, Dolly Bell, e Dino apaixona-se por ela. Emir Kusturica estreou-se no cinema com este filme, que conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1981. Na altura a cumprir serviço military, o Exército jugoslavo autorizou Kusturica a deslocar-se a Itália para receber o prémio.

© Públiconline

Lembras-te de Dolly Bell? (Sjecas li se, Dolly Bell). De Emir Kusturica, com Slavko Stimac, Ljiljana Blagojevic, Slobodan Aligrudic, Mira Banjac, Nada Pani. Jugoslávia, 1981, 107 min. RTP 2. Quarta, 14, às 00h00

posted by Anónimo on 21:12


 
Turn on the radio


Íntima Fracção é um excelente programa de rádio que vale a pena ouvir, pela noite de dentro, de sábado para domingo (na TSF, 1h00 > 3h00). A escolha das músicas e dos textos é irrepreensível. É um autêntico oásis na rádio preguiçosa e massificada que nos rodeia.
Mas o Íntima Fracção é também um blog onde o Francisco Amaral fala do programa e de muitas outras coisas, onde é possível descobrir os alinhamentos e ficar preso a eles até à noite de sábado ou então ler os textos do João Wiborg (Por vezes, raras vezes, vem uma ou outra voz para me consolar) e perceber que está tudo ligado.
Agora o Blog tem um novo layout. A cúmplice da mudança é a Inês Amaral ( conversas de café). Está muito bonito e mais próximo da atmosfera do programa de rádio. Parabéns a ambos! Continuo sintonizada.

posted by Anónimo on 21:05


 
BookCrossing
Nota: texto longo.

Read and Release at BookCrossing.com...

What is BookCrossing, you ask? It's a global book club that crosses time and space. It's a reading group that knows no geographical boundaries. Do you like free books? How about free book clubs? Well, the books our members leave in the wild are free... but it's the act of freeing books that points to the heart of BookCrossing. Book trading has never been more exciting, more serendipitous, than with BookCrossing. Our goal, simply, is to make the whole world a library. BookCrossing is a book exchange of infinite proportion (...).

A ideia do BookCrossing (BC) é simples: pôr os livros a circular. Mas não de qualquer maneira; o ideal é soltar o livro em algum sítio (já foram utilizados cafés, bancos de jardim, estátuas) para que outra pessoa o encontre e apanhe. Sim, a ideia tem a sua dose de romantismo - quase tanta quanta de utopia. Mas já houve casos documentados de sucesso! O mais recente: uma rapariga que encontrou o livro Cinco Quartos de Laranja em cima de uma arca de gelados, em Viana do Castelo. A todos os livros registados no BC é atribuído um número, o BCID, que deve constar no próprio livro (o site coloca à disposição umas etiquetas explicativas, mas nada nos impede de escrevermos nós um pequeno texto). Ao encontrar o livro, com a devida explicação, a Rapariga de Viana ficou a conhecer o BC, inscreveu-se e já participou no último encontro, que ocorreu no Porto.

Esta é outra vantagem do BC - os encontros. O convívio com pessoas que partilham o gosto pela leitura. Fala-se muito de livros, dão-se sugestões, trocam-se opiniões, contam-se histórias. No já mencionado encontro portuense, leram-se contos e poemas, à beira do lago do Parque da Cidade. Mas para não pensarem que só os nortenhos têm direito a encontros, fiquem a saber que o próximo realizar-se-á em Lisboa, já este Sábado. Se quiserem saber mais, é só enviar um mail à Janela e receberão todas as informações necessárias.

Se acham que não conseguem separar-se dos vossos livros, eu compreendo-vos perfeitamente: os livros que registei estavam na minha estante em duplicado. Mas há quem não se importe de registar as suas centenas (uma BCer portuguesa pôs à disposição de qualquer BCer 250 livros!).

Se acham que o BC é uma ameaça à indústria livreira, não podiam estar mais enganados: já comprei livros em duplicado - um para mim e outro para o BC - e também já comprei livros por ter lido via BC e gostado particularmente. E como eu, há mais.

Se têm medo de largar livros sem mais nem menos, existem Crossing Zones criadas de propósito para deixar e ir buscar livros BC: cafés (Majestic, Porto; Vianna, Braga; Cafetaria do Palácio de Cristal, Porto), restaurantes (Agito, Lisboa), bibliotecas (Biblioteca Camões, Lisboa; Biblioteca-Museu República e Resistência, Lisboa), museus (Museu Municipal, Portalegre) e até livrarias (Clepsidra, Lisboa). E podem sempre receber ou passar a outro BCer por correio, em mão ou nos encontros.

Não encontrei mais ses. Que tal espreitarem? Aqui, informação do BC em Portugal. Há, ainda, um Forum em português e uma mailing list - BCPortugal.

Marta, aka kalahari (o link é para a minha bookshelf - se quiserem alguma coisa, é só dizer)

posted by picatostes on 16:50


 

Não perca este livro!!!






"We live, as we dream - alone"
(de "O Coração das Trevas")





posted by Anónimo on 13:59


 




Para saber tudo tudo sobre o festival, que abre as portas hoje, só mesmo uma visita ao site:
http://www.festival-cannes.org/index.php?langue=6002


posted by Anónimo on 13:46


 
Lançamento de “Aquela vez e outros textos, de Samuel Beckett

O grupo de teatro Visões Úteis e a Quasi Edições vão apresentar amanhã pelas 18 horas, na livraria do Rivoli - Teatro Municipal, mais um livro de Beckett.

Trata-se de quatro textos dramáticos que integraram o espectáculo "Vozes na Lama", produzido pelo Visões Úteis em 1998 e encenado por Diogo Dória: Passos, e Cadeira de baloiço com tradução de Diogo Dória e Aquela vez, e Fragmento de Teatro I com tradução de Luís Miguel Cintra.

Esta notícia foi-nos enviada pelo Miguel Noronha do blog O Intermitente, a quem agradecemos a informação... e também a pontaria.

posted by Anónimo on 13:18


 
O Primo Basílio na Cinemateca

Estava eu nas minhas deambulações bloguísticas, quando fui ter à página da Cinemateca. (Confesso que não sabia que tinha uma página... Há uns meses, procurei e não encontrei, pelo que me habituei a ver a programação no Cinecartaz.) Chegamos e podemos escolher entre News, The Film Museum, Programming, Publications e Links. Ah! Tem ali uma ligação que nos permite «Mudar para a Versão Portuguesa». Acho genial a ideia de porem a página de entrada em inglês. Afinal, quais são as probabilidades de um português visitar o site da Cinemateca Portuguesa?

Hoje, às 22h, na Sala Luís de Pina:

O Primo Basílio
De Georges Pallu
Portugal, 1923 - 151 min.
Não Legendado
[uma certa incoerência...]

Uma adaptação de Eça de Queirós tomada de assalto pelos actores da companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, na qual trabalharam, a partir de 1921, alguns dos maiores actores de teatro portugueses. Ângela Pinto faz aqui a sua única aparição no cinema, numa óptima criada Juliana cuja insolência provoca os sucessivos ataques de nervos de uma belíssima Luisa/Amélia Rey Colaço. Alguns dos memoráveis diálogos em casa de Jorge e Luisa são retomados graças a um bom grupo de actores secundários, entre eles, Arthur Duarte, que se estreava aqui no cinema. Para descobrir também, a primeira aparição do Jardim do Príncipe Real, o mais cinematográfico dos jardins portugueses.

Com acompanhamento musical ao vivo

posted by picatostes on 13:00


terça-feira, maio 13, 2003  

Ontem, uma amiga minha contou-me o quanto ficou emocionada a ler a última crónica semanal do António Lobo Antunes. Na altura, disse-lhe que não, não a tinha lido, assim da primeira a última palavra, mas assim por alto, fixando-me numa só consoante a acompanhar um ponto final. É impressionante como se pode colocar tanto silêncio numa só consoante acompanhada por um ponto final. Lá, no fundo, ainda tinha o eco da última frase, pois atravessa.
É muito complicado retirar um fragmento, porque é uma crónica do António Lobo Antunes que vale muito pelo seu todo. De qualquer modo, aqui fica.

"Ontem fui a casa do João. É engraçado como, ao olhá-lo, vejo as suas idades todas. Conhecemo-nos tão bem! E sem palavras inúteis, sem efusões, de longe, ceriminiosos, a pingarmos ternura. De todos os meus irmãos é o que mais me comove. Gostava tanto que fosse feliz. O meu pai, ao jantar, subitamente velho. Longe dele não é este o pai que lembro. Nem esta a mãe. Velhos ou disfarçados de velhos, é claro. Não morram. Vejam-me lá isso, como dizem os mecânicos, não morram. O sorriso do Miguel. Eu para ali parado, a olhar. Quase nunca falo. Para quê? Dizemos tanto, assim."



posted by Anónimo on 22:19


 

© William Claxtron

To me, / Jazz is a way of life / that I couldn't be without / and I really try to give everything

I love to play / and I really think that's / the only reason / I've been brought / into the world

I play every set /as if it were the final one

© 1979 Chet Baker

posted by Anónimo on 21:52


 
Rubem Fonseca recebe Prémio Camões



"Neste momento estou desenvolvendo o começo da história que iniciei com o título que lhe deu o sopro inicial de vida. No quiosque de livros da praça li um poema no qual o autor (roubei dele o título da minha história) diz que o mundo é doloroso, os seres humanos não merecem existir e ele, poeta, suspeita que a crueldade da sua imaginação está de certa forma conectada com seus impulsos criativos. Matar a velha, não a crueldade, como disse o poeta, mas a força do meu ato e não apenas da minha imaginação foi a impulsão que fará de mim um verdadeiro escritor. Tenho, agora, o começo, tenho o meio e o fim." (Pequenas criaturas - "Começo")
Rubem Fonseca

A notícia está aqui

posted by Anónimo on 21:29


 
2 concertos a não perder



Os Sul-Americanos, pelo Estúdio de Ópera, no dia 16 na Casa das Artes, às 21h30. O programa é composto por obras de Alberto Ginastera, Heitor Villa-Lobos e Carlos Guastavino, entre outros. O bilhete custa apenas 5 euros e as reservas podem ser feitas pelo 22 605 9400.

Tango, pelo Remix Ensemble, no dia 17 no Teatro Sá da Bandeira (Porto), às 22h00 e dia 18 no Teatro Camões (em Lisboa), às 17h00. Walter Hidalgo no bandoneon e Ramon Maschio na guitarra juntam-se ao grupo para interpretarem obras de Astor Piazzolla, Carlos Gardel, John Cage e Heitor Villa-Lobos.
Os bilhetes também são muito acessíveis (8 euros) e podem ser adquiridos nos locais dos espectáculos, na fnac ou através da ticket-line www.ticketline.pt 21 003 63 00.

posted by Anónimo on 18:56


 
Homem com A maiúsculo

Lá está a velha máquina de escrever Underwood, poisada no tampo de madeira atarraxado à base de ferro de uma máquina de costura Singer, pintada de branco. Lá está a cadeira. Lá estão as fotografias que recordam os lugares do Mundo que foram dele (Lisboa, Porto, Coimbra, Carreço, Londres...), as cartas, as memórias, os documentos. Também os livros, os amigos e os neologismos, espalhados pelo chão como folhas que tivessem saído imperfeitas do rolo da máquina de escrever. E ainda obras de arte, muitas e de respeito, com assinaturas de Vieira da Silva, Cargaleiro, Menez e tantos outros. Ali está, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, uma parte do que ficou da passagem pelo mundo do cidadão Ruben Andresen Leitão, ou do escritor Ruben A. (1920-1975), que, para esta função, não precisava de mais do que uma letra maiúscula a servir-lhe de apelido.
A exposição “Ruben A. – Tempo, Escrita, Memória” inaugurou no passado sábado e serve de aperitivo ao colóquio dedicado ao escritor, que decorrerá quinta e sexta-feira. Depois disso, a mostra continuará até 13 de Junho, recordando e (talvez) ressuscitando a escrita do homem que fez construir uma casa a que deu o nome de Sargaço. Até lá, haverá ainda lugar para visitas guiadas (o jornalista Germano Silva, que conheceu e trocou correspondência com o escritor, será o guia no dia 7 de Junho) e leituras, a cargo dos actores António Durães, João Cardoso e Rosa Quiroga. Para os mais pequenos (e não só), a iniciativa reservou ainda uma oficina de observação e expressão, partindo de escritos de Ruben A. Em torno das cores.

Biblioteca Almeida Garrett
De ter. a sáb., das 10h00 às 18h00; dom., das 14h00 às 18h00

© Jorge Marmelo - Público (local Porto)

Nos nossos arquivos é possível ler a história dos Pardos (do livro Cores, editado pela Assírio & Alvim): aqui a primeira parte e aqui a segunda

posted by Anónimo on 13:35


 

Páginas de luz a um céu aberto

Há páginas, de revistas literárias, que não perco de vista. E http://www.storm-magazine.com/ é uma delas. Duas palavras: Excelente! Continuem!


posted by Anónimo on 13:27


 

-Glória-
(Malcolm Lowry)


A glória é como uma terrível catástrofe,
pior que a casa incendiada; enquanto
se abate a trave-mestra, o fragor
da destruição repercute-se cada vez mais depressa;
e tu contemplas tudo aquilo, inane
testemunha da danação.

Como uma bebedeira a glória devora
a casa da alma, revela que trabalhaste
para coisa pouca: para ela-
ah, queria que esse beijo traiçoeiro nunca tivesse
molhado a minha face: queria
fundir-me, só, para sempre, na obscuridade, na noite.


Ouolof
( poemas mudados para português por Herberto Helder)



posted by Anónimo on 13:06


 

Desta janela, parto quase sempre, em seguida, pra A Montanha Mágica. E sempre parto com a certeza que vou encontrar excelentes fragmentos de obras literárias, poemas, notícias de cinema, de exposições, etcs. Lá. E desta vez, não foi diferente, obviamente. Simplesmente adorei saber que o Museu do Prado está a preparar uma grande antologia dedicada ao pintor Tiziano. A notícia está lá, veio do mundo, chegou a montanha e agora está na janela. Mas voltem A Montanha Mágica . Não, não há mesmo concorrência.


posted by Anónimo on 12:55


 

Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2003


No Pavilhão de Portugal. Festival temático e internacional que procura reflectir as novas tendências da bd e ilustração. Tema: "Fronteiras". País convidado: Alemanha. Inserida na iniciativa "Maio, mês da bd". Exposições de Anke Feuchtenberger, Atak, CX Huth, Henning Wagenbreth, Martin tom Dieck, Ulf K., Ralf König, Jutta Bauer, "Conflitos militares na banda desenhada!" (colectiva de Aleksandar Zograf, Emmanuel Guibert e Joe Sacco, "A Banda Desenhada nos Selos" , "Stripburek, bandas desenhadas da outra Europa" (mostra colectiva de autores da Europa de Leste), "Nós somos os mouros" (colectiva), Pedro Burgos, Diniz Conefrey, Miguel Rocha e Richard Câmara. Ilustração: João Fazenda.

© http://www.bedeteca.com/

Inaguração, na quinta-feira, no Pavilhão de Portugal, às 19h00. Aberto ao público entre 16 de Maio e 22 de Junho.
A não perder!






posted by Anónimo on 00:00


segunda-feira, maio 12, 2003  
Alerta: novo blog!

Textos de Contracapa
A Edição, os Livros, as Questões da Cultura, a Política, a Sociedade.
by Nelson de Matos, editor da Dom Quixote

(notícia roubada descaradamente ao Blog de Esquerda)

posted by picatostes on 22:54


 

Acordar na rua do mundo


madrugada. passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos.
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas. os pombos
alisam as penas. no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal já lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas. ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu. estragou-se o alarme
da joalharia. os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam
o azul dos azulejos. assoma à janela

quem acordou. o alarme não pára o sangue
desávem-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
não gravou
e duma varanda um pingo cai
de uma vaso salpicando o fato do bancário

Luiza Neto Jorge, A Lume





posted by Anónimo on 21:53


 

Que dia é hoje?



Hace falta mucha sensibilidad, imaginación, respeto a los demás y a sus problemas, además de un gran talento y sentido del humor, para convertir la aburrida y frustrante cotidianeidad de unos parados en una obra de arte”, diz Ricardo Oleaga. Isto é a mais pura verdade. Há muito tempo que não via um filme tão realista, sereno e bonito.


posted by camponesa pragmática on 14:45


 

Galiza em Lisboa

O Centro de Estudos Galegos da Universidade Nova de Lisboa celebra o Dia das Letras Galegas, com o seguinte programa:

10 a 22 de Maio
Exposição colectiva de pintura galega “deGALIZA.CONTEMPORÂNEA”.

16 de Maio
21h00 “Falar X Falar”, com Quico Cadaval.

17 de Maio [Dia das Letras Galegas]
18h00 Cinema “A Língua das Borboletas”;
19h30 “vinho e pinchos”, com presença dos pintores e convidados;
20h30 Teatro “Para sermos exactos”;
22h00 Danças e Cantares, com “Anaquiños da Terra”.

© ceg.fcsh.unl



posted by camponesa pragmática on 13:42


 
sob escuta:
10



Often I think back to a conversation with my friend Evan. He told me once about an old professor of his who maintained that Romanticism never died, that something like punk-rock was a natural progression of the romantic freedom of the artist, with his or her ability to express himself independently, not at the whim of King of Bishop. It’s a cute, general idea taken out of context, but I always come back to it, in an effort to figure out what it means to have a “romantic” temperamente these days, to contextualize it historically. Why? Because I’m probably a hopeless romantic, one who would seek to take back an idea and restore it to its original meaning. Say “romantic” now and you’ve got people thinking about flavored-coffee commercials. How did that happen, and when?
Brad Mehldau, no livrinho que acompanha o elegiac cycle


posted by Anónimo on 11:50


 

sob escuta:
9



Este Reed Song, de Will Holshouser Trio, é muito bom! Estou a ouvi-lo desde sábado. Domingo de manhã estava rendida a Blue Light Special (faixa 2, uma boa ideia para a compilação indiscreta de Verão). Hoje já não sei bem o que é que me soa melhor. Tudo? Tudo. Esta música ri.


posted by camponesa pragmática on 11:45


 
A propósito de Nunzio

Cada vez que vou ao teatro tenho medo. De não gostar, de não me comover. Na sala de cinema consigo ver filmes apenas interessantes, aqueles de três estrelas, que vemos e esquecemos e saio da sala sem remorsos. Mas ao teatro exijo sempre mais, tem de ser mesmo bom, tem de me comover, tenho de sair de lá diferente. É talvez um erro exigir assim tanto mas não consigo evitar. Quando as peças são enfadonhas, quando a encenação é triste e deslocada, quando os actores são fracos vou ficando cada vez mais pequena na minha cadeira, cheia de vergonha e apetece-me desaparecer sem ninguém dar conta.

Mas quando gosto é um prazer tão grande e luminoso. E é de luz que se trata, é algo que irradia dos actores e se pega à nossa cara.
Ainda estou sob o efeito do Nunzio.
Costumo gostar do trabalho dos Artistas Unidos e digo trabalho porque não me refiro apenas à representação das peças, é de tudo que gosto, do modo como eles leiem os textos e os traduzem, do modo como se atiram aos autores preferidos, do modo como contornam os orçamentos. Há no grupo uma energia que me fascina.
As melhores peças que vi o ano passado foram as deles, "O Primeiro Amor", do Miguel Borges e a maratona do Harold Pinter. Mas lembro-me de todas as anteriores que vi. É a minha colecção preferida.
No sábado fui completamente conquistada pelo Nunzio. O texto é perfeito, como se o Harold Pinter tivesse nascido no Sul. Aquela cozinha amarelada é verdadeira, com o oleado na mesa e a botija de gás, e o Nunzio é uma espécie de anjo que existe de verdade, não apenas no papel mas com a forma do Miguel Borges, com os cabelos despenteados, o casaco demasiado comprido e uns olhos tão crentes e doces como nunca vi. O Nunzio existe! É isto o teatro.

posted by Anónimo on 11:24


domingo, maio 11, 2003  


De que falamos ?

De que falamos
quando falamos das palavras
senão do tempo
que corre-escorre
por entre as malhas da voz?

Faladas
as palavras
são um combate encenado
uma insónia pessoal
Escritas
são reféns do olhar

No espaço da página
deslizam altivas como icebergues
ou então soçobram
desconhecidamente
no lado sombrio do funesto olvido


Ana Hatherly , O Pavão Negro


Só mãos verdadeiras escrevem poemas verdadeiros.
Não vejo nenhuma diferença de princípio entre
um aperto de mão e um poema (p. 66)



A verdadeira mão que o poeta estende
não tem dedos:
é um gesto que se perde
no próprio acto de dar-se

O poeta desaparece
na verdade da sua ausência
dissolve-se no biombo da escrita

O poema é
a única
a verdadeira mão que o poeta estende

E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta


Ana Hatherly , O Pavão Negro

(A citação referida em epígrafe no poema anterior (incluído no post-scriptum a Paul Celan, como uma espécie de diálogo imaginário com o Poeta) é retirada do volume de Paul Celan Arte Poética- O Meridiano e outros textos, organizado e traduzido por João Barrento.)


"O Pavão Negro foi inicialmente o tema de uma exposição de trabalhos meus, apresentada no Porto, em 1999, na Galeria Presença, inserindo-se no caminho que tenho percorrido desde os anos 60, em que o tema da escrita, na sua dupla vertente de representação oral e visual, tem dominado o meu trabalho de escritora/pintora, caracterizado por uma incessante pesquisa do acto de criar. […] O que neste volume se oferece ao leitor é uma colectânea de poemas inéditos […] escritos entre 2001 e 2002, em que se prolonga a fulcral atitude de inquirição emotivamente reflexiva que subjaz a toda a minha produção poética e pictórica. "

Ana Hatherly




posted by Anónimo on 20:03


 
Junichiro Tanizaki

Há uma nova tradução de Junichiro Tanizaki no mercado. É feita a partir da edição inglesa, tem o nome de A chave e é da Teorema. Mas a história já estava traduzida (a partir do francês), com o nome de A confissão impudica pela mão da Assírio & Alvim. Desconheço as diferenças mas asseguro que vale a pena ler este diário, assim como o outro livro de Junichiro Tanizaki traduzido em português: Elogio da Sombra, que é um dos mais belos ensaios sobre as diferenças entre o Ocidente e o Oriente.

posted by Anónimo on 18:11


 
Pastoral
Quando era mais jovem
tinha a certeza
que devia fazer algo da minha vida.
Agora, mais velho,
caminho por vielas
admirando as casas
dos muito pobres:
telhados desengonçados
pátios cheios de
velho arame de capoeira, cinzas,
móveis desconjuntados;
as cercas e os anexos
construídos com aduelas
e tábuas de caixotes, todos,
com alguma sorte,
sujos de um verde-azulado
cuja pátina
me agrada mais
que qualquer cor.

Ninguém
acreditará que isto
seja tão importante para a nação.

William Carlos Williams
(tradução de José Agostinho Baptista
© Assírio e Alvim

posted by Anónimo on 17:03


 
cheda tinto 2000

Vou fazer de conta que estou noutro blog - no epicurista Fumaças - e vou falar de uma garrafa de vinho.
É engarrafado pelos Lavradores de Feitoria, que é um projecto que pretende revalorizar os vinhos da região do Douro. Comprei-o pelo rótulo, é bonito e tem o nome impresso em braille, pode-se tactear.
Chama-se cheda (leia-se chêda) e diz no rótulo que tem cor púrpura e aroma intenso, jovem, com notas de frutos silvestres e algum café / cacau proveniente de madeira, discreta e bem casada com o vinho. Na boca mostra uma acidez bem equilibrada e a fruta bem presente. Elegante com bom volume de boca, apresenta um final bastante fino e longo.

Adoro estas prosas sobre vinhos.

O João Paulo Martins, que é perito, classifica-o como (esta expressão também está bem esgalhada) bom parceiro para o dia a dia.
Acho que custou cerca de 6 euros, tem 13% e o máximo que consigo dizer é que é aveludado e acompanhou muito bem o almoço.

posted by Anónimo on 16:15


 
Mr. Death



Realizado por Errol Morris, este documentário fala-nos sobre Fred A. Leuchter Jr, um engenheiro de Malden, Machassusetts, cuja missão era desenhar e reparar câmaras de gás, cadeiras eléctricas, métodos de injecções letais e forcas.
Ele tornou-se conhecido nesse campo, trabalhando como perito pelos vários estados onde a pena de morte não fora abolida. Em 1988, Ernst Zundel, um neo-nazi que publicou panfletos como "Did Six Million Really Die?" e " The Hitler We Loved and Why", encarregou Leuchter de conduzir uma investigação sobre o uso do gás nos campos de concentração nazis da segunda guerra mundial. Leuchter viajou até Auschwitz e ilegalmente tirou amostras de tijolos e de argamassa para análise, "provando" mais tarde que o Holocausto nunca acontecera. Leuchter esperava que o seu envolvimento com Zundel seria o ponto máximo da sua carreira, mas em vez disso, arruinou-o.

Na rtp2 às 00h30. A não perder!

Detesto falar nisto mas penso que ele (Mr Death) contém as minhas melhores imagens. Por exemplo, o plano de Fred Leuchter caminhando pela estrada. Não sei se já esteve em cenários, mas quando se tem uma câmara com uma lente de 600mm – que era o caso aqui – o assistente de câmara tem de fazer todas as marcações à medida que a figura avança para a câmara, porque é muito difícil quando se tem uma destas lentes, manter a figura fcada. É dificílimo. Com uma fita, mede-se o local onde ela estará no momento x para se poder cumprir as marcações. Mas eu lembrei-me de focar o fundo e fazer com que Leuchter desaparecesse à medida que se aproximava da câmara. Quanto mais próximo estava, mais desfocado aparecia. Até, finalmente, desaparecer. Nunca vi um plano assim. Até certo ponto isso sublinhava aquilo que Irving dizia – a voz desse plano é a de Irving (um estudioso britânico do Holocausto que é entrevistado no filme). Ele acusa Leuchter de ter praticado um acto de ingenuidade criminosa. Veio do nada e voltou ao nada.
Errol Morris

posted by Anónimo on 15:19


 
Ana Hatherly - A mão inteligente



Ana Hatherly nasceu no Porto em 1929. Poeta, ensaísta tradutora e professora universitária, dedicou-se à poesia visual e ao Barroco, como corrente literária. Distinguiu-se como um dos elementos principais da poesia Experimental nos anos sessenta e setenta e os seus trabalhos estão representados nas mais importantes Antologias e Histórias da Literatura Contemporânea de Portugal, Brasil, Espanha e Estados Unidos, entre outros.
A Mão Inteligente, é um documentário que percorre 40 anos da obra visual de Ana Hatherly, que abrange a poesia, a pintura, o desenho e o cinema.
Neste filme, Ana Hatherly revisita o seu próprio percurso criativo que irrompe brilhantemente ao longo da segunda metade do século XX.

Na rtp2, às 21h00.

© rtp online

posted by Anónimo on 15:18


 
Sob a Areia



... passa hoje na FNAC do Chiado, às 18h30.

A melhor cena do filme:

Marie, com inquietude crescente pela demora de Jean, olha para o areal e para o mar, à procura. De tirar a respiração.

Se a FNAC Chiado não estiver ao vosso alcance, podem sempre alugar o filme. Está disponível em VHS da Atalanta.

Aqui, o site do filme.

posted by picatostes on 11:40


 
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